PAZ E BEM

O que temer? Nada.
A quem temer? Ninguém.
Por que? Porque aqueles que se unem a Deus obtém três grandes privilégios:
onipotência sem poder;
embriaguez, sem vinho e vida sem morte.
São Francisco de Assis

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O TEMPO COMUM


O tempo decorrido nas 34 semanas fora dos ciclos de Advento e Natal e Quaresma e Páscoa, é chamado de Tempo Comum. Os domingos são Domingos do Tempo Comum ou Domingos durante o ano. Esses domingos recebem sua força ou sua espiritualidade de duas fontes: dos tempos fortes (Páscoa, Natal) e dos próprios domingos. Assim, o Tempo Comum é vivido como continuação, como prolongamento do respectivo tempo forte.
No Tempo Comum, a Igreja faz amadurecer frutos de boas obras, preparando assim a vinda do Senhor.
Precisamos tomar cuidado com uma certa interpretação errônea: a palavra Tempo “comum” deixa a impressão de algo não importante, como se o Tempo Comum fosse aqueles dias do Ano Litúrgico que não tem festas nem solenidades. Não é assim!
O Tempo Comum nos convida a descobrir nas pequenas coisas do dia-a-dia, aparentemente comuns, a sua ligação com Jesus Cristo: a oração, o trabalho, as obras de misericórdia, a ação social. De segunda a sábado, devemos estar atentos para percebermos os grandes dons de Deus em nossas vidas. Se agirmos assim, os Domingos do Tempo Comum se tornarão momentos fortes em nossa vida de fé, é este o tempo propício para redescobrir e valorizar, em toda a sua riqueza, os tempos de Deus que se alternam no ritmo do homem.
O tempo comum exige atenção ao cotidiano, ao ciclo semanal, à vida; ajuda a entrar nos meandros de cada experiência pessoal, familiar e social. Nada pode se subtrair à graça transformadora de Cristo: afetos e dons, bens e escolhas, trabalho e festa, alegrias e fadigas, doença e morte. Tudo é marcado profundamente. A adesão ao Ressuscitado exige um percurso constante e progressivo para chegar a revestir-se de Cristo.
Viver como cristão o tempo comum equivale a ser fiel à Eucaristia. O Domingo é o dia do encontro semanal com o Senhor ressuscitado. Dia que dá ritmo ao ano litúrgico e nos convoca com força a uma relação equilibrada entre trabalho e repouso; dia para salvaguardar em meio a todos os nossos afazeres um espaço de gratuidade para celebrar o amor de Deus que nos salva.
O tempo comum, portanto, é um período de vigilância e de esperança; daí a escolha da cor litúrgica verde. O verde, cor da esperança, devendo nos lembrar a primavera, a ecologia, o cuidado pela natureza, tornando este mundo nossa casa habitável...


O Canto no tempo comum (Irmã Mirian)

- Os cantos sejam litúrgicos, inspirados nas Escrituras e na própria Liturgia, dialogais e orantes, levando em conta a Palavra, o momento ritual, o mistério celebrado;
- Privilegiem-se as Partes Fixas, o Ordinário da Missa, cantando A liturgia mais que NA liturgia: o Glória, o Santo, as Aclamações, o Amém, o Cordeiro de Deus...
- O Salmo Responsorial deve ser cantado do ambão, porque é Palavra de Deus, segundo melodias indicadas pelos CDs do Hinário Litúrgico e/ou o livro “Cantando os Salmos e Aclamações”, ambos da Paulus. A assembléia deve participar no Refrão;
- O canto da Comunhão retome, na medida do possível, o tema do Evangelho, visando a unidade entre a Mesa da Palavra e a Mesa da Eucaristia;

domingo, 16 de janeiro de 2011

Batismo do Senhor



O Batismo de Jesus, Festa que encerra o Tempo do Natal. Este episódio suscita em nós uma pergunta, até mesmo, de ordem teológica: Por que Jesus quis se submeter àquele ritual de purificação, realizado por São João Batista? O próprio profeta contesta: “Eu devo ser batizado por ti e tu vens a mim!” (Mt 3,14). Evidentemente, Jesus não precisava daquilo, pois não tinha qualquer culpa, a não ser a culpa da humanidade, que Ele assumiu. Quis, entretanto, nos deixar o exemplo do que fazer e a lição de que ninguém é puro, a não ser Ele. Mergulhando no Rio Jordão, santificou, definitivamente, todas as águas, que se tornaram matéria dos Sacramentos do Batismo e da Eucaristia, que Ele iria instituir.
O Batismo é a fonte de todo bem que acontece em nossa vida, após o nascimento; é a raiz dos dons sobrenaturais que recebemos e a porta dos outros Sacramentos. A criancinha que se torna templo de Deus, embora ainda não possa acompanhar a riqueza litúrgica do Sacramento, irá desenvolver, ao longo de sua vida, todos os benefícios recebidos naquele momento único.
São Paulo fala, ardorosamente, dos efeitos do Sacramento: “Fomos, pois, sepultados com Ele na sua morte pelo Batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova. Ora, se morremos com Cristo, cremos que viveremos também com Ele, pois sabemos que Cristo, tendo ressurgido dos mortos, já não morre, nem a morte terá mais domínio sobre Ele. Portanto, vós também considerai-vos mortos ao pecado, porém vivos para Deus, em Cristo Jesus” (Rm 6,4.8-9.11).
São João, na sua Primeira Carta, afirma que, pelo Batismo, recebemos em nós a semente de Deus, que se desenvolve, desabrocha e impregna todo o nosso modo de ser e de proceder: “Todo o que é nascido de Deus não peca, porque o germe divino reside nele; e não pode pecar, porque nasceu de Deus” (1Jo 3,9). O nosso ser torna-se outro, porque nos incorporamos ao corpo glorioso de Cristo, que continua, assim, a agregar novos membros, especialmente, através do Batismo e dos demais Sacramentos.
Deus nos deu a vida natural em vista da vida divina, que iríamos receber, “enxertados em Cristo” (cf. Rm 11,23-24). Todo esse Mistério é muito grande! Surge, desta forma, para nós a conveniência imperiosa de meditar muito mais sobre o Batismo.
Como é que manifestamos esta vida divina? O seu sinal mais simples e visível transparece na nossa própria fisionomia: o sorriso sincero e o semblante sereno refletem a paz da alma, a retidão do pensamento e a coerência das atitudes. O exercício da vontade, impregnada do Espírito de Cristo, conduz à prática de atos de bondade, que a piedade cristã sintetiza nas “obras de misericórdia”.
A vida nova é a grande maravilha que aconteceu em nosso Batismo. Por Cristo, no Mistério da Encarnação e Redenção, recebemos o dom da filiação divina. Filhos do mesmo Pai e irmãos de Cristo, somos assumidos pela Santíssima Trindade, no amor do Espírito Santo. Em consequência, a nossa família humana também é transformada, quando nos tornamos criaturas novas.
Como possuímos a vida divina, nosso falar transcende a comunicação humana. Alcançamos o falar divino, que é a oração – diálogo com o Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. A oração é um dom extraordinário. Quem sabe rezar, preenche qualquer vazio e se enobrece. E quem não sabe rezar, é muito pobre. O maior sábio, se não souber falar com Deus, vai dialogar com quem? Apenas com a ciência e o mundo material? Mas tudo isso é limitado. Quem não sabe falar com o Transcendente, não se torna sábio de verdade. A ciência que vai além dos limites da criaturalidade é a ciência mais elevada, porque se eleva até o divino e se fundamenta na fé.
Quando recebemos a vela do Batismo, embora seja pela mão de nosso padrinho (no caso das crianças), somos convidados a prosseguir: “Ide, levai esta luz [isto é, a fé] acesa, até o encontro com o Senhor”. E nesta trajetória do nosso caminhar, há que preencher o entusiasmo da fé com a concretude da caridade, unindo o ensinamento de São Paulo ao de São Tiago: “A fé opera pela caridade” (Gl 5,6), pois “a fé sem obras é morta” (Tg 3,17)
Feliz dia em que fomos batizados! Nossa Certidão de Batismo, muito mais do que um documento, é sinal do maior dom do amor de Deus a nós. Olhemos para ela com carinho, agradecendo a Deus pelo Sacramento que nos abriu a porta e franqueou o acesso à participação na sua vida. O Batismo purifica o nosso ser e dá sentido ao nosso viver. Vai conduzir-nos pelos caminhos do bem ao encontro do Único Bem, razão e causa de qualquer prática que nos dignifica.